terça-feira, 14 de outubro de 2014
DESAFIO 72: Texto com 77 palavras em que só se pode utilizar frases com 2, 3, 6 e 7 palavras.
E saiu isto!
Conto, conto?
Eu vi.
Era uma vez um belo pavão. Queria muito voar, rasgar as nuvens.
Que fez? Querem saber, não?
Subiu, pé ante pé para o telhado. Aprumou as suas penas multicolores, singulares.
Fechou o leque. Precipitou-se no vazio.
Que majestoso!
O corpo baloiçou no ar, sem medos.
Exibiu-se para a pavoa do pátio vizinho.
Aterragem macia de um voo nupcial.
A receção de uma namorada orgulhosa, apaixonada.
O sonho tornou-se a realidade vivida.
O amor!
Arménia Madail, in histórias com 77 palavras
Pecado inocente
Naquela tarde cheguei a casa com a Elisa e a Tita – vindas da catequese – e corremos para o quarto, onde nos esquecíamos de tudo o que se passava ao nosso redor, para abrir as fotonovelas e ler num silêncio entrecortado por uns ais de adolescentes. A voz ( estridente) da titi fez-nos ficar em sentido para imediatamente corrermos, escada abaixo. O jantar estava na mesa.
O ritual da espera do avô – que dava a ordem de “podem sentar-se” surgiu.
Sentada de frente para a titi, reparei que ela me olhava de um modo estranho e logo as palavras lhe saíram em catadupa: Quem te deu isso? – Comprei na loja da D. Manuela. – Com que dinheiro?
Os meus olhos baixaram – pois não tinha dinheiro e não tinha ordem de nada comprar. E a confissão foi revelada: tinha-os roubado.
-Amanhã vais devolver o que tiraste. – Sim – anui.
Ninguém fez qualquer comentário.
No fim do jantar, levantamo-nos e o avô, em tom austero, lançou a sentença: “O castigo é para toda a semana: as tuas amigas não poderão vir cá a casa.”
No dia seguinte levantei-me e dirigi-me à loja da D. Manuela e entreguei-lhe os dois ganchinhos com o devido pedido de desculpas.
Arménia Madail
"Desejo tanto...
Desejo tanto que as noites devorem rapidamente os dias para te poder encontrar.
Desejo tanto os teus seios rígidos que chamam a minha carestia de amor; as tuas mãos a palmilhar o meu corpo na procura de mim; ter-te nas minhas mãos; tocar-te com os meu lábios; sentir o teu odor; desejo tanto que me deixes entrar e ficar até que os nossos sentidos deixem de ser sentidos...
Há muito que a minha avidez se tornou um irremediável tormento e, para serenar, imagino-te numa entrega à água cristalina na esperança de que um dia ela te possa purificar. E fico, sentado no cadeirão, à espera do impossível do possível: que todos os homens, a quem te entregas, cruzem os oceanos e por eles sejam tragados.
Desejo tanto!
quinta-feira, 26 de junho de 2014
DESAFIO: "77 palavras sem a letra A"
O tempo que esperei por ti!
Creio que esqueceste o mundo em teu redor e fugiste. Escondeste teus vislumbres no fundo do céu nublado, cheio de cumulus e queres que todos fiquemos no escuro do teu remorso. Vem! Os frutos impelem pelo teu esplendor e eu quero e preciso do teu brilho que destine o meu trilho. Vem e socorre os rebentos sedentos. Vem e diz-me que queres subsistir, persistir e prescindes do teu esconderijo. Vem SOL!
Arménia Madail
Desafio com palavras selecionadas
Caramelo fugiu quando ousou xingar a Abelha. Esta enamorara-se do Jacaré não admitindo ironias. O seu amor era um livro aberto. Naquela tarde, os nenúfares vertiam pólen fazendo ruborizar quem quisesse acariciá-los...A abelha ziguezagueou, tremeu e enterrou o ferrão, quando Caramelo surgiu de mansinho gritando: “Miauuuuuuu! Nessas flores não pões a unha; o doutor não te vai valer!” O Jacaré saiu do botão da flor, sustendo-o, imobilizou-o, murmurando: “Há que fugir ou levas um grande pontapé!”
Arménia Madail, in 77 palavras
Desafio com a palavra NÃO catorze vezes.
Não! Não!
“- Não! Não e não! Já disse que não! Não quero que apanhes sol!” – a mãe não gostava que eu me sentasse no quintal à espera deles porque, dizia ela, o sol fazia-me mal. Mas eu não queria perder aquele baile: os boeiros, as poupas, os melros... não desperdiçavam uma única semente: saltitantes, atarefados – parecia que não teriam outro manjar. Não se importavam por ter companhia; não se inibiam e não deixavam de depenicar...
“- Não! Não! Sai daí!”
Arménia Madail, in 77 palavras
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