Porque hoje é sábado - sim,
sábado – e porque amanheceu – chuvoso -
vou definhar nas recordações (inevitáveis) do ontem. Relembro os
passeios pela praia, as noites de luar, os banhos de mar, os jantares no
alpendre e, sobretudo, o dormir entrelaçado na rede que existia entre os dois
choupos no nosso quintal! Existia! Já não existe. Arrancaste-a e eu queimei-a e
com ela queimei as minhas emoções. Tudo isto é incrível! Um raio de sol rompeu
o céu e entrou desastrosamente pela janela e acordei…
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Eis que
me deparo com as minhas incertezas – aquelas que eu julgava terem emigrado para
as margens do limbo - . Que fazer? Dei voltas e mais voltas, rodopiei junto do
teu coração (queria uma vez mais cativá-lo) na certeza da incerteza de o poder
arrancar do teu peito. Rasgar toda a tua pele na míngua de um pouquinho do teu
amor. A carapaça endurecida e indiferente aos meus intranquilos impulsos ficou
intacta num suspiráculo e eu deixei-me desvanecer…
Hoje – só hoje -! Quero procurar entre a bruma o teu odor… quero saber
onde está a tua outra face (aquela que escondes) , aquela que eu recordo das
noites e dos dias e dos meses e dos anos que nos olhávamos e não precisávamos
de falar. Aquela face – a que escondes – mas que eu teimo em querer ver! Ver…Eu
intui mas não quis acreditar! Partiste e contigo foi o meu amor.
Recordo quanto tempo amei -
nesse passado longínquo - o teu
singelo olhar enigmático; hoje, recordo e quero acreditar: eras um sonho; a
outra face do amor. Sim, o teu corpo indelével a querer entranhar-se em mim –
corpo descarnado: inerte.
A tua boca: segue procurando
o impossível! As tuas pernas entrelaçadas, nas minhas, reclamam a posição
excitante; a recusa constante da penetração – em sonho impossível – responde em
sofrimento; a face oculta, será verdadeira?
Desfaleço finalmente (nos
teus braços), deixo que me descubras – ávido de amor...
Vou, tu também, os nossos corpos
colam. As entranhas sentem as gotas de suor, ouvem os gemidos, o pulsar
intermitente; sonho, será isto um sonho, um desejo insuportável de algo mais –
, desejo animalesco incapaz de parar – a procura total, o êxtase: este louco
amor inolvidável: morreu comigo.
O amanhecer da
aldeia acorda-nos (quase sempre) com uma neblina. Esta vai-se esvanecendo
deixando aparecer o Sol (inibido), trazendo com ele os melros, as poupas, os
boieiros... Os cheiros da terra húmida ,elevando-se no ar, entram nas nossas
narinas. O som das crianças cantarolando na ida para a escola ,faça chuva, faça
sol, recordam ,todos os dias, que são horas de descer à cozinha. É na cozinha
que os aromas se misturam e nos deixam entontecidos (o pão saído do forno, as
compotas, a manteiga fresca) e ávidos de saborear aquelas iguarias campestres.
São estas maravilhas que nos dão força. Força para arrostar o asfalto negro - asfalto negro que
nos conduz à cidade grande (cheia de odores tão diferentes). Mas a certeza
(pois pensamos sempre de modo positivo) de que voltaremos à aldeia, aos
inebriantes aromas, aos sons, ao silêncio da natureza... enche-nos a
alma. E ao fim do dia, regressamos para um novo amanhecer .
Entre a bruma, arrastei o meu corpo
(ensanguentado pelos açoites) aos tropeções : as unhas enterravam-se - na terra
húmida e lamacenta - sedentas de um abrigo;
os cabelos desgrenhados prendiam-se nos ramos sedentos de vida. O meu
correr lento, compassado,
intercalava com galopantes arremessos de fúria, ira.
Desespero, angústias, medos, alegrias, mimos e carícias jorravam das minhas entranhas embebidas de bílis. E a bruma aproximava-se, cada vez mais...no meu encalço. E as minhas pernas caíram nas teias das areias que devoravam vertiginosamente um corpo flagelado pela indiferença do HOMEM!
O GRITO fez eco, mas ninguém ouviu!
Desespero, angústias, medos, alegrias, mimos e carícias jorravam das minhas entranhas embebidas de bílis. E a bruma aproximava-se, cada vez mais...no meu encalço. E as minhas pernas caíram nas teias das areias que devoravam vertiginosamente um corpo flagelado pela indiferença do HOMEM!
O GRITO fez eco, mas ninguém ouviu!
Entre as avenidas daquela cidade imponente, seguia um carro conduzido por um vulto que devorava com os olhos as
lojas iluminadas: procurava as mais belas lojas. Aquela levou-o a uma paragem brusca:
desceu, correu e entrou. Entregou um papel à balconista que imediatamente lhe
deu o que tinha na gaveta; saiu. Entrou na seguinte e fez o mesmo. Depois de
várias visitas entrou no carro e
conduziu-o a alta velocidade. Chegou a casa e olhando para todos os lados,
correu para o seu quarto e deliciou-se com os seus haveres adquiridos:
passou-lhes a mão em jeito de carícia – uma, duas, três vezes – e reconfortado
guardou-os no cofre. A saída para uma nova procura levou-o ao bordel mais
próximo e libertou a sua vontade escolhendo as mulheres mais belas e exóticas,
arrancando-as dos braços dos outros; a noite foi só dele. A manhã despertou ávida
de sol e o homem acordou com ela.
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